ENTREVISTA: Paula Genkai

Olá olá amantes de cosplay e comics de todo o Brasil!

Esta é mais uma edição do CCBr Entrevista, desta vez trazendo uma veterana do cosplay! Ela é simpática, criativa, e com escolhas excêntrica de cosplays, perfeitos para encantar fãs de quadrinhos, que serão pegos de surpresa nos eventos ao reconhecer suas personagens. Conheçam agora Paula Genkai!

Genkai jovem, de Yu Yu Hakusho

Qual seu nome?

Paula Annunciato Fabris

E Identidade Secreta?

Paula Genkai

De onde veio seu apelido?

Na época, gostava muito da Mestra Genkai, do anime Yu Yu Hakusho! Resolvi juntar o nome dela com o meu verdadeiro!

Qual sua idade?

29 anos

Qual sua profissão?

Médica especializada em Neurocirurgia 

 
 
 
 

Dita, de Chobits

Como e quando conheceu o cosplay?

Foi na época dos primeiros eventos de anime e mangá (Mangacon 1997). Gostava muito de anime na época e minha irmã já fazia cosplay. Quando vi os cosplayers de apresentando, achei muito legal a ideia e resolvi fazer cosplay também. Minha estreia no mundo do cosplay foi em 1998, na Mangacon III

Quais Cosplays você ja fez?

-Mestra Genkai jovem (do anime Yu Yu Hakusho),

-Dita (do anime Chobits),

-Dr. Kamiya Minoru (anime Yu Yu Hakusho),

-Rê Bordosa (da HQ nacional Chiclete com Banana),

-Lady Porta (da HQ Lugar Nenhum, do Neil Gaiman),

-Cobweb (da HQ Tomorrow Stories, de criação do Alan Moore e Melinda Gebbie),

-e Barbarella (do filme “Barbarella- a Rainha da Galáxia”). 7 no total! 

Você possui uma peculiaridade muito marcante nos seus cosplays, que é a escolha de personagens alternativas, e muitas vezes pouco conhecidas pelo grande público. Porque dessas escolhas?

 

Dr Kamiya, de Yu Yu Hakusho

Gosto bastante de HQs e histórias alternativas, que fujam um pouco da temática “bem x mal” de histórias tradicionais. As HQs alternativas e menos conhecidas envolvem bastante elementos diferentes, como magia, fantasia, sensualidade, etc, já que não existe uma graaande preocupação com o sucesso financeiro da publicação (há uma preocupação maior com a elaboração da história e personagens em si, que são bem marcantes). Tenho uma certa, vamos dizer, atração por esse tipo de história que foge do comum, do comercial. E, em geral, envolvem personagens femininas com personalidade forte (não gosto de fazer personagens muito passivas, que esperam ser salvas, ou que dependem do mocinho da história para tudo), que adoro!!! São esses elementos que envolvem as personagens de HQ e mangá que já fiz cosplay!

Algum plano para cosplays futuros?

Sim!!! Pretendo fazer a Pamela, da HQ coreana “Tarot Cafe”, “ressuscitar” o cosplay da Mestra Genkai jovem (que, este ano, completa 13 anos- foi meu primeiro cosplay) e, se der tempo, gostaria de fazer uma das Prometheas (Bill Woolcot) da HQ “Promethea” (história maravilhosa do Alan Moore)! 

 
 
 

Re Bordosa, de Chiclete com Banana

Quais são os tipos de reações que as pessoas possuem aos seus cosplays? Quais foram as mais divertidas?

Como as personagens costumam ter um visual diferente e colorido bastante destacados, muita gente arregala os olhos e fica admirada com a roupa ou penteado das personagens. Depois, batem foto e perguntam qual personagem é. Algumas reações mais engraçadas:

– Ao ver a Lady Porta (roupa bem colorida, predominante verde e vermelho), um rapaz gritou: ” E viva Portugal!!” ¬¬’

– O dono de um stand de roupas alternativas no Anime Friends 2009 ficou muito feliz ao me ver de Rê Bordosa….e até bateu foto!!!

– Ouvi muito xaveco com a roupa da Barbarella….uns bem toscos, mesmo!

Como alguém que já frequenta eventos a um bom tempo, qual a diferença que você entre os eventos de hoje com os primeiros que frequentou?

Muita coisa mudou!!! Aqui vão as principais:

Cobweb, de Tomorow Stories

– o tamanho dos eventos. Os primeiros que fui (lá por 1997, 1998), eram feitos em um salão e havia poucas atrações (cosplay, cantores e dubladores). Hoje em dia, qualquer evento pequeno tem área de games, várias salas de exibição, variedades (arena medieval, sala de dança, animeke, etc), além de palestras com dubladores e cosplayers.

– Os concursos de cosplay evoluíram e muito! Antes, havia só o equivalente a categoria tradicional individual- não havia categoria livre ou grupo. Ah, e só valia para pontuação cosplays de origem em anime e mangá (se fosse de origem não nipônica, era desclassificado). Atualmente, está muito mais democrático, já que vale para concurso qualquer mídia filmada ou desenhada!!!

Acho impressionante os números de visitantes em um evento: de 200-300 (no primeiros eventos) para mais de 2.000 pessoas num único dia!

– As técnicas de confecção e apresentação dos cosplayers. Antes, ver alguém de armadura, era só em sonho. Hoje em dia…basta ir a qualquer evento e verá robôs e armaduras, além de acessórios e roupas muito bem feitas!

– Algo que, infelizmente, mudou: a educação e respeito do público. Cada vez mais, vejo o público mais mal-educado e desrespeitando os cosplayers : antes, quem fazia cosplay era muito respeitado, independente da idade e tipo físico; hoje em dia, o mínimo defeitinho já faz o cosplayer virar piada. Ninguém sabe o trabalho (físico e psicológico) que dá ser cosplayer. 

 
 
 
 

Lady Porta, de Lugar Nenhum

E o que você acha sobre essa constante que o público adquiriu sobre criticar a qualidade de um trabalho não pelo seu trabalho, mas pelo físico do cosplayer? Acha que é uma tendencia das novas gerações?

Infelizmente, é uma tendência. E não só de cosplayers. Já deu para reparar que, na mídia em geral, se uma celebridade engorda um pouquinho, já vira notícia e criticam-na. Tem que ter o corpo perfeito, igualzinho ao visto na fotografia que foi retocada pelo Photoshop. As pessoas são julgadas pelo corpo, e não pelo caráter. Já vi vários cosplayers com corpos totalmente fora dos padrões, mas fazendo apresentações e caracterizações maravilhosas! Pena que boa parte do público se prenda às aparências…..

Também existe o caso contrario, onde o cosplayer pratica o hobbie com o intuito de se destacar fisicamente, o que tem a dizer sobre isso?

Se o intuito for só destacar o físico, perde-se o melhor do cosplay que é a diversão. É diferente do caso da pessoa que procura um personagem que gosta e tenha um físico parecido, visando ficar o mais fidedigno possível. Mas ter um físico igual não é obrigatório para se fazer um cosplay (mesmo porque, é difícil ter um tipo físico parecido com um personagem em 2 dimensões…).

Barbarella, HQ européia

Você ja sofreu algum preconceito por fazer cosplay?

Já houve colega meu, na faculdade, que achou meio infantil o fato de fazer cosplay. Mas, fora isso, a maioria das pessoas para quem eu falo que faço cosplay aceitam bem a ideia e até acham legal, querem ver fotos e vídeos, etc…

O que diria a essa nova geração, para que esses problemas (preconceito e tipo físico) sejam superados?

Cosplay é um hobbie, algo que se faz para descontrair e esquecer o stress do dia-a-dia. Não é concurso de modelo, onde é necessário ter um corpo perfeito. Necessita-se, sim, de amor ao hobbie!

Você teve uma escolha um tanto quanto curiosa com a Rê Bordosa. Sendo difícil encontrarmos cosplays de personagens nacionais, o que diria sobre sua experiência ao fazê-la?

Foi fantástico! Tive contato com os quadrinhos da Rê Bordosa quando era criança (uns 7-8 anos!), através das tiras do jornal “A Folha de São Paulo” (obviamente, não entendia nada do comportamento da Rê Bordosa). Lembro, inclusive, que minha mãe até ficou triste quando o Angeli resolveu matá-la!!! É uma personagem clássica dos quadrinhos nacionais e, recentemente, virou tema de uma animação em massinha (Dossiê Rê Bordosa). Sem dúvida, é um cosplay muito divertido e dá para fazer apresentações muito engraçadas. Por incrível que pareça, muita gente reconheceu. Devo, inclusive, repeti-la em algum evento por aí…

Que dica você tem a quem pretende começar a fazer cosplay?

Rê Bordosa na Fest Comix 2010

Juntar dinheiro (muitas vezes ele é necessário, a não ser que você já tenha os componentes do cosplay no seu armário), saber bastante sobre a personagem (como modo de agir e falar, frases marcantes, etc), ver os detalhes da roupa e procurar tecidos . Conhecer algum cosplayer mais experiente também é interessante, já que pode te dar algumas dicas. E, para quem não sabe costurar, procurar saber de alguma costureira (referências com vizinhos de bairro, parentes e, até mesmo, de cosplayers mais experientes). Tente planejar com o máximo de antecedência possível: se algo der errado ou não ficar muito bom, dá tempo de consertar e não ficar muito perto do dia do evento.

Sinta-se a vontade para dar suas palavras finais.

O cosplay é um hobbie no qual se gasta dinheiro, passa-se um bom tempo planejando, pode requerer até refazer roupa e acessório…..Mas, para quem realmente gosta, vale a pena cada minuto!!! Portanto, escolha já um personagem com que se identifica e….divirta-se!!!!!

10 comentários para “ENTREVISTA: Paula Genkai”

  • Grande Paula! Uma simpatia de pessoa e sempre com cosplays de personagens nada óbvios! Sou fã desde a Rê Bordosa! 😀

  • Paula Genkai disse:

    Obrigada, Boguma!!!! Existem várias personagens legais que não são conhecidas pelo público! Tento trazê-las à tona ou relembrá-las, já que são clássicos!!!

  • Andy Trevisan disse:

    O Boguma disse tudo.
    Desde a primeira vez em que te encontrei num Evento me encantei com sua simpatia, talento e criatividade… E, é claro, com sua personagem (Lady Porta).
    Hoje é tão difícil encontrar cosplays de personagens não tão do dia-a-dia, que “desbravadores” como vc são um estímulo à nossa criatividade.
    Foi com enorme alegria que te vi de Barbarella, um ícone da minha época. Eu nem acreditei! Foi muito legal, mesmo!
    Continuado sucesso para vc. E persista nesse caminho; afinal, “cosplay” é diversão e nada é mais divertido do que fazer um personagem do qual gostamos, mesmo que não seja atual, ou de notório conhecimento público.
    Um beijão do Andy

  • Paula Genkai disse:

    Andy, fiquei emocionada com seu post!!! Obrigada pelos elogios e incentivo!!! Afinal, adoro personagens marcantes, conhecidos ou não!!! Faço cosplay deles pelo amor ao personagem!!! Adoro seus cosplays, também: Dá para perceber o quanto você gosta de cada um dos personagens que se veste!!!

    Beijos!!!!

  • Aproveitando a presença do Andy aqui…tanto ele como a Paula são exemplos vivos de que cosplay é para todos! Muita gente relaciona cosplay com pessoas de determinadas áreas…por exemplo, designers (como eu), publicitários, artistas plásticos… e temos aqui a Paula, que é neurocirurgiã, e o Andy, militar! Isso é muito bacana, termos pessoas de tantas profissões, idades e procedências, tendo em comum o hobby do cosplay!
    …e também assino embaixo os comentários do Andy sobre a Paula! ^^

  • Paula Genkai disse:

    Isso é verdade, Boguma! Quando pensam em cosplayers, pensam em designers, artistas plásticos, publicitários….o hobbie é democrático e, quem quiser, é bem vindo!!! E não tem profissão, idade, preferência sexual, etc que impeça isso!!! E, novamente, obrigada pelos elogios!!!! 😀

  • EltonBM disse:

    Muito bom!

  • wellington disse:

    eu adorei seu personagem no fest comix,adorei mais ainda sua simpatia,simplicidade em tratar as pessoas bjs

  • Paula Genkai disse:

    Obrigada pelos elogios:)

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